Parei de escrever... e não
compreendo, por que toda vez que vou à cozinha tenho de acender um palito de
fósforo. A chama acesa, o cheiro da madeira queimando, vão me consumindo. A idéia de ser possuída pelo fogo é tentadora,
mas não, nunca chego lá. Não deixo que a chama alcance meus dedos. Assopro e
simplesmente deixo que a claridade...
Parei de escrever e meus dedos se
queimaram na fogueira. A claridade não pode chegar até meus dedos, se não se
compõem em palavras. Luz e fogo, dolorosos. Eu não me importo com coisas vãs;
lapso, só achei que essa frase daria credibilidade ao texto. Que nem quando
somos mais novos, nos importamos tanto com coisas vãs, o tempo passa, nem
ligamos mais, e achamos outras coisas vãs para dar conta, que não são vãs pra
gente. Acho que você entendeu.
Não me importa, não me importo
com coisas vãs. Parei de escrever... E exalo essa fumaça por onde passo. Talvez um dia eu aprenda a reacender coisas vãs e dê um mergulho em minha própria loucura.
Fósforo caído
o papel
as palavras ardem
e vão para o inferno eterno
do não dito.

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