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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Parei de escrever






Parei de escrever... e não compreendo, por que toda vez que vou à cozinha tenho de acender um palito de fósforo. A chama acesa, o cheiro da madeira queimando, vão me consumindo.  A idéia de ser possuída pelo fogo é tentadora, mas não, nunca chego lá. Não deixo que a chama alcance meus dedos. Assopro e simplesmente deixo que a claridade...

Parei de escrever e meus dedos se queimaram na fogueira. A claridade não pode chegar até meus dedos, se não se compõem em palavras. Luz e fogo, dolorosos. Eu não me importo com coisas vãs; lapso, só achei que essa frase daria credibilidade ao texto. Que nem quando somos mais novos, nos importamos tanto com coisas vãs, o tempo passa, nem ligamos mais, e achamos outras coisas vãs para dar conta, que não são vãs pra gente. Acho que você entendeu.

Não me importa, não me importo com coisas vãs. Parei de escrever... E exalo essa fumaça por onde passo. Talvez um dia eu aprenda a reacender coisas vãs e dê um mergulho em minha própria loucura.

Fósforo caído
o papel
as palavras ardem
e vão para o inferno eterno
do não dito.

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