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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Homo, vita et beatitudo: confrontando o egoísmo ilusório


Meu coração apertado vai se esvaziando dos sonhos de menina, vou cedendo a um mundo que me é uma afronta. Quantos foram os que já perderam o gosto pela vida?

Já ouvi falar que o egoísmo advém da infância mais tenra, quem sabe já nasça com a gente. Quando mal aprendemos a esboçar as primeiras palavras, construímos um mundo só nosso, no qual somos os donos e criadores de tudo, não é à toa que é predominante a frase enfática: É MEU!!!
Na juventude, o “é meu” é internalizado e se calcifica no espírito, de tal forma, que se materializa em uma luta esquizofrênica por uma pseudo-sobrevivência. O ego não é mais alimentado por sonhos próprios do indivíduo, senão atribuído às conveniências do mundo externo. É a batalha pelo tão sonhado status quo, uma coleção de prêmios e condecorações que não pertencem ao eu, mas sim a ideais externos com significações diferentes do que é “sucesso”.

Nessa concepção, o sucesso parece estar fora da morada da felicidade e residir no acúmulo de títulos e de riquezas. É, nesse momento, que o ego incorpora o alter (relativo ao outro), e algo fica bastante errado dentro de nós, é o adiamento ou a total destruição do carpe diem. Uma dominação total de um narcisismo predatório.
Estamos vazios de si e transbordados de “egoísmo repleto de alterismos”. Parece contraditório, não? O problema é o modo utilizado para satisfazer esse ego demente: mentiras, omissões, traições. Tudo vale no mundo dos prazeres ilusórios! Será, os fins, realmente, justificariam tais meios?

Lembro agora de Jean-Paul Sartre, o inferno são os outros! Viramos o inferno dos outros, porque o inferno são os outros, que também sou eu!
Essa doutrina fiel ao ego se espalha como cancro e produz mitoses sucessivas de individualismo e de destruição. Para quê eufemismos, em se tratando da vita brevis?
Portanto, meu caro, cuida, cuida de si! Olha-te adentro, bem no fundo. E verifica se tua luta é válida, se é luta por felicidade própria ou se é guerra comandada pelo mesmo exército que te trai e te acorrenta. Corre e lembra-te: na morada da felicidade há espaço para todos, é ilimitada e está mais perto do que qualquer ser humano possa sequer imaginar! 



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