E de repente... puff... Cadê eu?
Me procurei ontem na brincadeira
de pique-esconde. Ficarei na “mãe” eternamente, não tá fácil encontrar essa
garotinha travessa. Antes de perdê-la, lembro-me das suas invencionices de
histórias. Ah, ela não cansava. Contava a si mesma, mil e umas. No futuro, faria
uma novela mexicana, emocionaria plateias e publicaria uma infinidade de
romances. Depois, teria um castelo nas montanhas, onde haveria bailes suntuosos
a toda semana. Daria passeios no seu submarino cor-de-rosa ou no seu cavalo
alado azul, que se chamaria Pegasus.
A última história que ela se
contou, todavia, foi a de que seria uma palhacinha. Ladra, em realidade, de sorrisos.
Encantaria as crianças minguantes em saúde, mas tão cheias de sonhos. Desde
então, ela se escondeu e não mais a encontrei.
Hoje, caminhando pela rua, a que
antes era de pedrinhas de brilhantes, recorri à outra tentativa frustrada a fim
de achá-la. Olhei pela calçada, entre as pessoas e até, acredite, na vala... e
nada. Ai, menina! A gente sente saudade, sim. Essa palavra intraduzível.
Olha, se voltares, te prometo uma
Barbie nova. Não queres? Então te dou uma sacola transbordando de doces. Tudo
bem, eu entendo. Difícil ter acordo. O esconderijo é mais seguro, não é mesmo?
Aqui fora é um tanto desolador,
um mundo apavorante, no qual se sobressaem malícias e maldades. Mas, garotinha,
disseram-me que quando a gente cresce é obrigado a enfrentá-lo e daí, botar a
cabeça para fora do casco que nem tartaruga. Por isso, deve ser quase certo que,
um cara chamado Hegel diria que crescer é a antítese da essência e ambas, em confronto
disputado, gerariam uma síntese chamada “máscara social”.
Espera... Menina esperta! É isso.
Não te escondeste, apenas te fantasiaste de “ser adulto”. De ser um ser que se
esconde.

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