Você chega em casa e agradece por estar vivo, não por ter tido um grande dia, senão por chegar incólume, sem nenhum vestígio de violência.
Os dias vão
passando, rotinas, lágrimas, alegrias e quando você percebe já se passaram duas
décadas e sonhos foram deixados para trás. Onde largamos a força que tínhamos?
Em que momento paramos de acreditar? Talvez, sejam perguntas mais fáceis de se fazerem
do que questionar o porquê de tudo isso. Tempo e lugar são perspectivas mais
simples que causas, vítimas ou culpados.
Não dá para
entender muita coisa. Qual o sentido de tudo? Tal como Chapeuzinho Vermelho,
escolho o caminho dos alfinetes ou das agulhas? Mas, duas décadas se passaram e
o que ainda nos resta? Quem sabe, o reflexo da lua. Jaci sempre esteve lá,
mesmo que às vezes oculta. Nas piores noites, lutando contra os fantasmas que
lhe atormentavam. Lá estava ela, no alto de um céu confuso e, no seu silêncio,
tentava lhe declarar as verdades da vida. Custamos a crer em verdades, é mais
seguro que tudo seja uma grande mentira.
¡Dime luna, dime! ¿Cómo se llama lo que soy? Ninguém sabe o que escondo... Por que é tão complicado olhar para dentro de si? A paisagem sempre muda ou os olhos é que nunca são os mesmos? Seria ótimo, mergulhar menos em interrogações e simplesmente afogar-se em um mar de respostas. Essa vida entrelínica é aterradoramente dura. E quando vemos já se passaram duas décadas. Tudo foi parte de um pretérito imperfeito. E a realidade é que, nesta noite, ninguém vai te ler, nem mesmo a lua.

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