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sábado, 31 de março de 2012

Do riso, fez-se o pranto

As Parcas, 1795. Wlliam Blake (Inglaterra 1757-1827)

Do riso, fez-se o pranto; do sorriso, o desperdício. Sou a morte da estrela, um passado ainda visível. O instante que se perde, se renova no agora. Da morte faz-se a vida. Sou dor e fantasia, a fantasia de uma dor, a dor da fantasia. E tu que me lês, que dirás? Que sou abismo de loucura, que sou ferida escondida.
Tu que te ris, te banharás no rio do Destino, nos banharemos em festejo ao ingrato fado.  Água. Escorrerá na clepsidra. Os elfos te riem, teu bosque é armadilha.
Ela te espera no embalo da canção de ninar, para que despertes e corras até ela. Ela, demente, frígida, crua.

Livre!!! És remendo do passado, agulha do presente e fio do futuro. Livre... pois são Parcas que te tecem. Livre?

Caminhamos em única vereda. Paramos ao respirar a existência. Seguimos pelo pensar do inabalável. Abalo. Pausa para não colidir. Colidimos. O agora? Feche os olhos para saltar. ver demais nos cegou. Queda e morte? Queda, caso e razão.
Tu és íngreme derrapada, um caso sem acaso, prisioneiro da razão. As Parcas que não ouçam teus gemidos, oculta a face do amanhã. Silêncio de si, noite do outro. E este ser sem sangue, verbo de conjugação futura, consome teu ser sem coração. Inimigo imaginário, a dúvida... Teu futuro, as Parcas, tu. O eu. Não suporto mais a imagem do espelho.

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