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sábado, 24 de setembro de 2011

Nua

          Nua. Nesse intento de ser toda sua. Despida das minhas máscaras, alegorias de um rosto que se isenta para não sofrer. Sofrer, que nem morrer, um esboço de volver... Volver o toque no meu corpo que sua, mar salgado à espera de partir. Toque intenso de desejo na alma envaidecida pelo contato eterno entre nós dois.

        Sou a que não cansa de brincar com os palpites, incertos e desinibidos, nos quais tilintam cor-e-ação e coração. Como tartaruga e leopardo, percorro em ti cada vereda do enlevo e do torpor. Sou, pois, mais que rebento da libido, eu – amante – ensurdecido hei de conhecer até tua última expiração.

         Aqui, no meu sangue envenenado, correm as lavas cálidas que te buscam com o poder de um arsenal. Armas de tortura, no limite da loucura, entre o desejo libertino e as correntes da paixão.

         Estes aforismos exaltados, eu te trago, numa mente herege de ilusões. Evapora desde adentro o beijo de saudade e a trilha sonora da alegria que ninguém jamais ouviu. Ouviu? Ou viu? Sua, toda nua, sua de dor.

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