Um punhal te acerta e te dilacera. Em sentimento profundo, te perdes em razão. Que farás? Quanto tempo permanecerás com a hemorragia estancada? Diz-me! Em vezes sangra, planejando a morte, manejando um fado. Te cansas, deveras, de falar em dores, dos murmúrios que gritam adentro, do farfalhar da tua alma – foge e toma.
O sono te pega e o sonho desvanece longe, como papiro que se desfaz ao vento, como a areia que se perde na espuma do mar.
A onda prossegue naquele eterno movimento, bem distante, tão perto. Queres a sensação de vida afogada, tomada por águas: calmas, turvas, límpidas, tempestuosas. E lá no fundo, te encontras naquele olhar, um reflexo profundo de superfície: lapso de caminho, encanto de se perder.
Perdeu-se, por certo, às duas (2) da madrugada, no te amo desgarrado, sem contexto lógico, afinal não eram dois (2?). Acabou-se em unicidade aflita, em multiplicidade unívoca, que só ouvia a voz de si mesmo. Imortal era a mentira repetida para si desde sempre, mas tão verdade ao seu coração. Como Me Ama, não! eu que Te amo! ... Me Amarga, Te a...morte.
E assim vivia, falando ao seu espelho! Sabes, a janela que contemplas afora, jamais mostrará a verdade do teu espelho. Olha! Tu perguntas: De onde vem essa imagem? E o espelho te confronta: De onde vem este ser?

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