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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Como ferida de Frida


           E me disse no silêncio: Adeus;
E me disse no silêncio: Adeus.
E me calou no grito: Te amo
E disse ao silêncio: Te minto;
E disse ao silêncio: Te necessito
E disse ao grito: Não há cura

De pés descalços, entre o lençol, minha pele te busca.
É a vontade absurda de tocar o que em nós permanece.
É a vontade louca de regurgitar a desesperança;
Tóxica é a morte, é a dor, é a ferida aberta que volve à boca
E se faz em silêncio.

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 “Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor.” Frida Kahlo
As artes são formas de exprimir algo tão pertencente ao ser – caráter ontológico – que acabam, involuntariamente, criando uma identidade universal.  Cada um que contempla, encontra algo de si na obra.
Nas obras de Frida Kahlo, deparamo-nos com o auto-retrato da perda, dos sonhos desfeitos, de uma vida permeada de tragédias: a poliomelite na infância que a deixou coxa, um acidente que a impossibilitou de ter filhos, um casamento falido com Diego Rivera... Quando chamada de surrealista, contestava veementemente: “nunca pintei sonhos, pintava minha própria realidade.”
Por mais que não tenhamos vivenciado as experiências de Frida, encontramos em suas pinceladas, um pouco da gente – um pouco das provações do destino. E embora seus quadros possam causar certa obscuridade e desilusão, acredito que o legado que ela pretendia deixar era o do cultivo de almas revolucionárias.


Para saber mais sobre a artista, recomendo: http://juminako.blogspot.com/2011/06/cavalera-inspira-se-em-frida-kahlo-para.html

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