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domingo, 7 de agosto de 2011

Fragmentos de Espelho

       Caminhamos sem rumo certo. Dizem que é melhor seguir caminhando, sem pensar em porquês, até quandos ou por issos. Ao final, o que conta são as projeções que ficaram em nós. Guardamos o reflexo do amor, da amizade, da raiva, da mentira, do ódio, de um sorriso..., numa mistura única e também fragmentada que exibe em nós um balé de sonhos e de dúvidas.
Como nas tragédias de Shakespeare e nos contos de fadas, a morte, entenda-a aqui em seu sentido metafórico, marca o fim de uma etapa para o início de uma marcha superior. A vida nos compele a ultrapassarmos nossas próprias dores e fantasmas; diariamente, travamos o conflito entre os nossos impulsos e a nossa razão, é assim que, por vezes, sentimo-nos perdidos.
Ainda que nos percebamos protagonistas de uma película de horror hitchcokiana, não hesitamos em nos aventurar no bosque como a Chapeuzinho Vermelho. Travamos um diálogo com o lobo desconhecido, embora saibamos da possibilidade de sermos devorados. E tudo isso por que? Queremos ter o gozo do suspense lambuzando e estremecendo o nosso interior.
Quando abandonados, somos João e Maria, que atraídos pelo prazer, têm de enfrentar a bruxa e, assim, montar estratagemas em nome de uma existência livre e independente. Fato que faz de nós um pouco de rapunzéis: a entrada e a saída da torre, encontram-se unicamente em nós, nas tranças da coragem.
Na fuga, se a espetada de dedo é forte, podemos entrar em estado de latência, dormir em sono de Belos Adormecidos para olvidar, para esquecer. Até o dia em que estivermos prontos para despertar e pedir carona num tapete mágico em busca de novas aventuras. Mas vai que puxam nosso tapete, em razão da inveja levantada pelos comentários de um espelho mágico, aí somos perseguidos por uma madrasta malvada. Por sorte, encontramos abrigo com gente que pode até parecer pequena, entretanto são grandes amigos.
Após toda essa aventura pelos bosques da vida, há ainda o perigo de virarmos prisioneiros do espelho, do retrato de nossa vaidade. Escolhemos, pois: ou viramos Dorian Gray, com uma aparência linda, mas uma alma suja; ou encarnamos o papel de cinderelos, não pela subserviência, senão pela beleza interior que depois se deixa externar. Tem gente ainda que prefere ser o Shrek, criaturas admiráveis, pouco importa o que os outros irão falar ou pensar, dane-se esses tipos de feiuras intolerantes (fofocas, modismos, etc), o relevante é mesmo manter a essência e o bom humor.
Era uma vez, once upon a time, érase una vez... a vida, camarada! Ora fragmentos de espelho, ora fragmentos de fantasias. Somos ogros, bruxas, príncipes, princesas, lobos e vilões...temos até nossos momentos de psicose.
E aí, qual vai ser o seu personagem de hoje? Ainda não escolhi o meu, mas a trilha sonora é certa:



Créditos especiais aos meus amigos cinéfilos e psicanalíticos, Aretha Fernandes, Ester Benitah, Fernando Braga, Mary Costa e Renata Ayres; à prof. Helena Rocha por me introduzir no mundo da Psicologia; e, novamente à Mary Costa, por me apresentar a Prokofiev.
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